sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

In vino veritas

Eu acho que ia gostar deste vinho, e acho que sei porquê.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

À pressão

Preocupação futebolística do momento: saber "onde está a pressão." Não há semana em que eu não leia um título de jornal ou oiça uma criatura na TV a dizer que "a pressão está do lado" de alguém. Toda a gente se preocupa com a pressão. A pressão é a coisa mais decisiva e importante da actualidade. A pressão é fixe.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A Outra

"Um país que precisa de um salvador
não merece ser salvo."
(Millôr Fernandes)

A Pátria não se importa de ser "a outra" de José Mourinho. Ele é o homem da sua vida, e ele há tão poucos... Arrostará com todas as condições, todas as esperas em silêncio, todas as intermitências. Estará sempre aqui, por vezes contentando-se com um telefonema apressado entre dois jantares com a legítima: "Sim, também te amo. O guarda-redes que vá fazendo uns exercícios."
Sem ele, a Pátria sentir-se-á perdida, não há quem se lhe compare. Com ele, nem que seja por umas horas, sentir-se-á segura, triunfante, realizada. Venha quem vier. Por isso faz a estrada de Madrid, descalça e desgrenhada, e sobe a Castellana para se pôr à janela do amado. Fará o que for preciso para o ter. Mendigará uma palavra, uma atenção, uma lembrança, como se de pérolas se tratasse. E espera assim conquistar o mundo. O amor vence tudo.

O Homem virá, talvez, numa manhã de nevoeiro, apressadamente, para dar a táctica. Acaba sempre tudo na mesma em Portugal. Tudo isto é tão ridículo e indecoroso que só espero que não se saiba lá fora.

PS - A legítima é que parece não estar lá muito pelos ajustes. Felizmente - a bem da decência. Mas seja o que for que aconteça, já ninguém apaga o desconchavo.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

É bem visto

No meu tempo de vida, fomos de Eisenhower a George W. Bush. Fomos de John F. Kennedy a Al Gore. Se isto é evolução, acho que dentro de vinte anos estaremos a votar em plantas.
Lewis Black

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Novela dos simples

Ver actores nas novelas portuguesas a pretender representar personagens "populares", "rudes" e "puras" é um espectáculo deprimente que diz tudo sobre o modo como as "elites" (com muitas aspas) vêem o país, e nada sobre o país.
Na interpretação desses actores, geralmente saídos de passereles de moda ou de tascas do Bairro Alto, e que só se aventuraram para fora da cidade besuntados de creme solar de écrã total, interpretar  um simples pescador de Setúbal,  ou um moço de estrebaria do Ribatejo, significa fazer caretas, falar e gesticular como um atrasado mental arraçado de babuíno, e ter  a clarividência de um malmequer. Para não falar de uma rapariga meio selvagem que habita uma novela actual e que é, como persona, tão convincente como o primeiro-ministro a dizer que não há crise. A pequena mais parece uma menina parva de Massamá com birra por lhe terem tirado o IPod do que a "força da natureza" que supostamente representa.
A culpa não é só deles e do seu talento dramático equivalente ao de abóboras, mas sobretudo das respectivas direcções de actores, fazendo a fineza de acreditar que existem. E de quem lhes escreve as falas, já agora. Estas interpretações são de quem não faz a mínima ideia do que é ser simples, puro, ou simplesmente humano. Confundem candura com imbecilidade. Macaqueiam modos que não sabem representar, traduzindo-os num espectáculo grotesco. E são praticamente um insulto ao tipo de pessoas que pretendem encarnar. Se eu fosse pescador  ou moço de estrebaria, fazia-lhes uma espera.
E não me macem com comentários género "é bem feito, quem te manda ver novelas," e ditos correlativos. São outras tantas baboseiras. Toda a gente vê novelas, nem que seja uma vez na vida. E bastaria essa vez para perceber isto.

sábado, 31 de julho de 2010

Relativismos

Parece que, afinal, os jogadores da selecção norte-coreana e respectivo treinador não foram selvaticamente castigados no regresso à Pátria, mas levaram apenas com horas seguidas de reprimendas públicas, e o último foi apenas condenado a trabalhos forçados. Os apoiantes lusos do regime de Pyongyang acenam triunfalmente com este facto na cara dos vis detractores do mesmo regime, que tinham dito cobras e lagartos.
Faz-me lembrar aquele tipo que queria dar ao amigo uma notícia chata da forma mais suave possível: "Olha, houve um desastre e morreu a tua família toda. Espera lá, tem calma, afinal foi só o teu pai."

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Chega!

Já não posso ouvir falar no Cristiano Ronaldo mai-lo filho, mai-las férias, mai-los Ferraris, mai-los helicópteros, mai-las casas, mai-la família dele, mai-lo raio que o parta. Oiço falar dele a propósito de tudo menos daquilo para que é pago, que é para jogar (bem) à bola. Isso não tem feito ele. Chega. Quero que o Cristiano Ronaldo se foda.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Não há justiça neste mundo

Andamos a gente a emprestar dinheiro aos porcos para eles depois nos passarem a perna. Só nos ganham derivado a que passam a vida a jogar à bola. Deviam era de trabalhar como nós, para verem como é. Para a próxima não levam nada e se quiserem vão ao tota.